segunda-feira, 9 de maio de 2011

Medéia 2011





O título do post não surgiu somente por causa do ano corrente, mas principalmente pela montagem de Medéia, um clássico do teatro grego revisto pelo Alucinógeno Dramático Teatro Experimental.

Atualmente o grupo está na Casa Amarela com a referida peça. Com uma mistura de lugares, idiomas, sotaques, bebidas e músicas a peça é totalmente revista e trazida para o nosso tempo. Tem mexicano falando portunhol, tomando tequila. Tem rei transformado em general, bolero, tango e música de concerto, tem misticismo e obviamente tragédia.

Me parece que se um dia Tarantino fosse filmar Medéia, teria como base esta montagem (se um dia lhe fosse possível conhecê-la), tal o dinamismo e o non-sense (?) aplicados na montagem do texto.

O que mais me chama a atenção é a ausência da reverência ou respeito ao passado e ao clássico, mas sem perder o contexto e a força do texto, sem forçar uma barra pra parecer moderno. Simplesmente é novo. Com a cara do nosso tempo.

Reparem que eu não disse que o texto foi alterado, picotado, recriado para assim ter-se o novo. Neste ponto (que é o essencial, o que vale mesmo) a obra é íntegra e fiel à tragédia grega. O ponto é não ficar parado, babando ovo para o teatro clássico.

Medéia 2011. E tenho dito!


3 comentários:

  1. Bom!! neste sabado eu irei asistir com certeza

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  2. Depois que beberam toda sua cerveja, Nando? Bicho, Kenneth Branagh me disse uma vez - por telefone e em português, evidentemente - que para remontar um clássico tem que soprar o pó de cima dele. Quem assiste Medéia vai até achar que o AD aspirou ao invés de soprar, mas a verdade é que a gente deixou a criação rolar solta, sem direção certa - e o resto aconteceu véio. O pó? Há controvérsias liquidas...

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  3. Elenco afinado, trilha sonora com algumas sacadas legais, ótimo figurino.
    O texto... ah, há várias interpretações, mas posso afirmar que o o texto está no contexto. Então...

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