Esta semana assisti Tetro de Copolla e Abutres de Pablo Trapero. Dois filmes, duas coisas em comum: acidentes de carro e Argentina. Não quero nem entrar na indaga sobre os filmes mesmo, mas digo que os dois são muito bons (e o do Copolla é lindo). O lance é a produção. Ambos com investimento de dinheiro público.
É fato que de todas as artes, o cinema é mais cara, que exige mais investimentos para se fazer uma obra. Fato também que em países que ficam abaixo do equador leis de incentivo são necessárias, visto que não temos uma cultura tão forte de patrocínio em cultura (o cenário começa a mudar, mas ainda é pouco e só há investimento em determinadas produções, do contrário, a coisa acaba indo para a Lei de Incentivo).
Sendo assim, nada mais justo que o Estado fomentar o mercado, para se criar uma cultura de boas produções, que levam à formação de público e aumentam o nível cultural da nação.
Acredito que seja o que a Argentina está fazendo ao investir em filmes como os dois supracitados. Filmes bons, que fogem do lugar comum das grandes produções (sem nenhum demérito a blockbusters e afins).
O ponto é: já que o Estado não é uma companhia de cinema, este deve fomentar boas produções que não conseguiriam grana de outra maneira.
Agora a indaga: está certo investir em filmes que já conseguiriam grana de outras formas? Está certo que tais investimentos geram retornos para a economia local, contudo não vejo o cinema nacional crescendo como o argentino (ainda acho Tropa de Elite um caso isolado). E acredito que a Rio Filmes deveria melhorar a qualidade dos filmes nacionais não? Fazer boas produções e entrar no circuito de filmes sem ter que pagar uma grana.
Sei lá. Tem muita coisa envolvida, desde economia até a subjetividade da qualidade de um filme, mas acho que os hermanos estão melhores que os tupiniquins.
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